• Daniel Santa Cruz

Programa de inclusão de deficientes: como montar um e gerar transformação real

Programa de inclusão de deficientes: como montar um e gerar transformação real

Imagem: Divulgação/Apae de São Paulo

Os programas de inclusão de deficientes são políticas inclusivas promovidas por empresas em conformidade à Constituição Federal, que diz que todos são iguais perante a lei e, portanto, devem ter os mesmos direitos e oportunidades. Até pouco tempo, pessoas com deficiência permaneciam marginalizadas, consideradas incapazes de serem produtivas para a sociedade. Muitas delas permaneciam trancadas em suas casas, sendo cuidadas por familiares e com pouca interatividade com o mundo externo. Mas isso vem mudando com a Lei de Cotas, a Lei Brasileira de Inclusão de Pessoa com Deficiência e outras normas que exigem acessibilidade nos transportes, vias e prédios públicos e asseguram acesso à escola de ensino regular; e claro, programas de inclusão de deficientes nas organizações para garantir seu direito ao trabalho e meios de subsistência.

Por outro lado, a atual conjuntura política de nosso país tem regredido em alguns aspectos. Em meio a projetos de lei retrógrados que querem barrar programas de inclusão de deficientes nas empresas e que estão na iminência de serem aprovados, ainda impera a Lei de Cotas, que obriga as organizações de médio e grande porte, ou seja, que tenham a partir de 100 funcionários, a contratar até 5% de trabalhadores com alguma deficiência.

Cabe a todos nós combater veementemente a privação dos direitos das pessoas de se sentirem produtivas e agentes na sociedade, características elementares da cidadania. Por isso, a Santo Caos elaborou este artigo esclarecendo dúvidas sobre o assunto, buscando desmistificar de vez o tema.

PROGRAMA DE INCLUSÃO DE DEFICIENTES: HÁ ALGO ERRADO NISTO?

A iniciativa do programa em si não. Já o termo… é importante buscar conhecimento para não cair em erros de senso comum. Dizer programa de inclusão de deficientes é incorreto. Vamos retroceder um pouco na história para compreender como se chegou a isso.

Até o séc. XX, pessoas com deficiência eram chamadas de “inválidas”, ou seja, sem valor, improdutivo. A partir do séc. XX até mais ou menos 1960, esse termo mudou para “pessoas com capacidade residual”, já dando indícios de que essas pessoas são capazes, mas de forma reduzida em comparação com os demais.

Entre 1950-1980, associações como AACD e Apae se consolidam no apoio às famílias de crianças com deficiência, e passou-se a chamá-las apenas de “deficientes”. É nesse ponto que retomamos o uso indevido de programa de inclusão de deficientes. Muitas outras mudanças aconteceram de 1980 para cá, na tentativa de igualar os direitos humanos entre pessoas com e sem deficiência. Hoje em dia, após lutas sociais protagonizadas por pessoas com deficiência, a Declaração de Salamanca vem para afirmar que o termo mais adequado e não pejorativo é pessoas com deficiência (PcD).

PROGRAMA DE INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: COMO CONTRATAR?

Agora que já sabemos a nomenclatura, como começar? Para alcançar objetivos mais assertivos, selecionamos alguns pontos importantes.

  1. Fazer benchmark com empresa que já trabalham com PcD.

Se sua empresa quer implantar um programa de inclusão de pessoas com deficiência, conhecer empresas que já têm programas ativos pode ser uma boa estratégia. Se não for possível, ler a legislação, participar de fóruns e grupos virtuais são alternativas também viáveis. Afinal, aprende-se melhor a partir de experiências positivas e erros de outros. Esse diálogo fará toda a diferença.

  1. Mapear sua empresa para possíveis vagas.

Durante o planejamento do programa de inclusão de pessoas com deficiência, é fundamental investigar em quais setores da empresa existe a possibilidade de vagas. A inclusão de fato acontece quando se criam condições favoráveis para aproveitar ao máximo a potencialidade de cada um dentro de suas limitações.

  1. Conversar com colaboradores com deficiência.

Pode acontecer de sua empresa já ter PcDs em seu quadro de funcionários, antes mesmo de ter um programa de inclusão de pessoas com deficiência. Esse é a oportunidade para consultar esses colaboradores para saber como eles se sentem e o que gostariam que melhorasse. Essas informações contribuirão – e muito! – no planejamento do programa.

  1. Contratar consultoria especializada em recrutamento de PcD.

Mesmo com todos os dados levantados, uma ajuda extra vem a calhar. Existem boas consultorias no mercado especializadas no recrutamento humanizado e eficiente de PcD.

  1. Contratar sem ficar focado apenas na cota PcD.

Ficar preocupado em apenas preencher o número exigido de vagas não trará a real inclusão para a sua empresa. O verdadeiro programa de inclusão de pessoas com deficiência é aquele que preza pela qualidade. Por isso, mais uma vez a consultoria especializada será de grande auxílio.

PROGRAMA DE INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: COMO PREPARAR?

A Santo Caos tem programas que preparam empresas para receberem PcDs e, por isso, selecionamos algumas dicas para ajudar você.

  1. Sensibilizar toda a empresa: antes das PcDs começarem a trabalhar, é importante realizar um diagnóstico para mapear a receptividade das pessoas sobre o assunto e, com isso, traçar planos de ação com campanhas, material de divulgação e espaços de diálogo.

  2. Preparar os espaços: tão importante quanto adaptar os espaços físicos do local, é trazer a mesma acessibilidade comunicacional e atitudinal.

  3. Fazer parcerias externas: órgãos especializados em assistir PcDs, como Apae e a Associação dos Surdos, serão grandes contribuintes ao programa de inclusão de pessoas com deficiência de sua empresa, seja na divulgação de vagas, seja na troca de experiências.

  4. Fazer parcerias internas: além da sensibilização, é interessante ter um patrocinador (sponser) do programa de inclusão de pessoas com deficiência internamente.

PROGRAMA DE INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: COMO RETER

1. Ter um comitê interno: para manter o programa de inclusão de pessoas com deficiência funcionando plenamente em sua integridade, o comitê designado ficará responsável por fiscalizar o programa, acompanhar e orientar PcDs na empresa, garantindo a real inclusão.

2. Entender e promover a equidade: na garantia da igualdade, a equidade compreende que nem todos tiveram as mesmas oportunidades na vida e, por isso, muitos profissionais com deficiência podem chegar nas empresas com menos preparo que os demais. É, por isso, que o programa de inclusão de pessoas com deficiência deve prever a capacitação e planos de desenvolvimentos adaptados a esses colaboradores.

O que achou de nosso artigo sobre programa de inclusão de pessoas com deficiência? A sua empresa já possui um? Compartilhe sua experiência nos comentários.

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