• Daniel Santa Cruz

Deficiente intelectual no mercado de trabalho: um tabu

A inclusão da pessoa com deficiência intelectual no mercado de trabalho ainda é evitada em muitas empresas devido à falta de informação, o que gera muitos estigmas e preconceitos.

Desde 1991, a Lei de cotas para PcD garante a inclusão do deficiente intelectual no mercado de trabalho, mas para as empresas até hoje é um desafio realizar essas contratações. Recrutadores preferem contratar profissionais com deficiências que exijam menos esforço, adaptação e preparo por parte da empresa, não vendo deficientes intelectuais como produtivos, e perdendo com isso uma grande oportunidade de construir um ambiente de trabalho com maior diversidade.

A ignorância é o que mais dificulta a inserção da pessoa com deficiência intelectual no mercado de trabalho. Isso porque existe uma associação direta entre deficiência intelectual e doença mental, por mais que sejam condições diferentes. Vale dizer que alguns casos de transtornos mentais vêm sendo incorporados, para cumprimento da cota de PCDs, numa nova categoria denominada deficiência psicossocial. Porém, apenas casos graves e incuráveis se enquadram. Entre eles, os mais comuns são os quadros psicóticos, como a esquizofrenia.

Por conta dessa confusão entre deficiência intelectual e transtorno mental, é muito comum que as pessoas suponham o perigo de alguma manifestação violenta ou acreditem que o deficiente intelectual não sabe o que está fazendo. Esses preconceitos colaboram para a criação de vários estigmas que tornam a presença do deficiente intelectual no mercado de trabalho um tabu. Entre os mitos criados em torno das pessoas com deficiência podemos destacar:

  1. “São agressivos”

A agressividade não está diretamente associada à deficiência intelectual. E mesmo em alguns casos de transtorno mental, tais sintomas podem ser controlados através do uso de medicamentos;

  1. “São carinhosos”

Muitos acreditam nisso porque associam os traços físicos característicos da Síndrome de Down (deficiência intelectual mais popularmente conhecida) aos comportamentos infantis, quando na realidade são apenas pessoas que podem ou não ter essa característica;

  1. “São dependentes”

As capacidades de cada deficiente variam segundo níveis, dependendo do seu estágio de desenvolvimento intelectual. Assim, é preciso reconhecer o que aquela pessoa pode fazer sozinha, recebendo ajuda somente se for realmente necessário;

  1. “São difíceis”

Muitos deficientes intelectuais apresentam problemas de comunicação e interação, ou menor capacidade para relacionar o sistema de fala com a representação escrita, mas para cada característica identificada há formas de compensar a limitação;

  1. “São inteligentes”

Muitas pessoas esperam menos do deficiente intelectual e quando constatam nele capacidades e produtividade, se surpreendem. Na verdade, superestimar a inteligência da pessoa é tão discriminatório quando subestimar;

  1. “São frágeis”

A tendência à uma superproteção pode impedir o deficiente intelectual de desempenhar suas funções ou interagir com os colegas, acabando com sua possibilidade de alcançar níveis de independência e autonomia.

Para incluir a pessoa com deficiência intelectual no mercado de trabalho, permitindo que ela alcance o melhor desempenho profissional possível, é preciso um trabalho interno na organização para que ela seja capaz de recebê-lo, compreendê-lo e engajá-lo em suas atribuições. . Também é fundamental que a empresa prepare os demais funcionários, instruindo-os quanto às limitações e capacidades do profissional com o qual vão conviver. Por fim, a presença de um consultor técnico de emprego apoiado que possa, juntamente com a empresa, vivenciar a situação e identificar os meios de inserção do deficiente intelectual no mercado de trabalho, pode favorecer uma cultura inclusiva, refletindo em melhores resultados nos processos da empresa.

QUERENDO SABER MAIS SOBRE O ASSUNTO? Baixe o nosso estudo PcD S/A 2.0. Lá explicamos os cenários e tendências da inclusão de pessoas com deficiência no Brasil, com percepções e depoimentos de mais de 1000 profissionais de todo o país.

O que achou de nosso artigo sobre pessoas com deficiência intelectual no mercado de trabalho? Conte para a gente no campo de comentários! VEJA TAMBÉM EM NOSSO BLOG

Como mensurar os resultados de um programa de diversidade

Inclusão Racial: O que as empresas podem fazer para mudar o status quo

Como recrutar pessoas trans?

Como melhorar a imagem da sua marca para contratar funcionários?

Compartilhe isso:

  1. Clique para compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela)

  2. Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)

  3. Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)

  4. Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela)

5 visualizações

Posts recentes

Ver tudo

©2020 por Santo Caos.