• Daniel Santa Cruz

29 anos da Lei de Cotas para PcD: o que mudou?

A Lei de Cotas para pessoas com deficiência (PcD) e reabilitados, criada em 1991, fez aniversário neste mês de julho. Mas o que será que mudou nas organizações com a obrigação de contratar PcD? Será que as empresas passaram a se preocupar mais em engajar esse público a partir da promulgação da lei? Confira a seguir, no nosso artigo de hoje alguns pontos que evoluíram, e outros que nem tanto.

Contratação de PcD nas empresas

É fato que as organizações passaram a se preocupar mais em contratar PcD após a Lei de Cotas. Isso porque a legislação foi pioneira ao estabelecer a obrigatoriedade de uma porcentagem mínima de pessoas com deficiência nas empresas acima de 1.000 empregados. Para quem descumpre essa lei, sanções podem ser aplicadas: segundo o Ministério Público do Trabalho, entre 2014 e 2019 foram pagos quase R$630 milhões em multas por não cumprimento da cota.

Pode-se debater se a cota é ou não a melhor alternativa, porém uma coisa é consenso: após essa lei, as pessoas com deficiência passaram a ser menos invisibilizadas. E os números demonstram isso: entre 2009 e 2016, a presença de PcD no mercado de trabalho formal cresceu em 45% (RAIS).

Com a necessidade de incluí-las no mercado de trabalho, suas demandas passaram a ser mais ouvidas. E elas puderam buscar capacitação e ter novas perspectivas de carreira. Hoje, existem inclusive consultorias dedicadas a recrutamento de PcD, mas mesmo após 29 anos da publicação da lei, muitas empresas ainda sofrem para engajar pessoas com deficiência.

Inclusão e engajamento

Se por um lado a pressão por contratar aumentou, por outro a qualidade da inclusão ainda não é uma realidade. Nosso estudo PcD S/A 2.0 (2019) aponta que 54% dos profissionais com deficiência gostariam de deixar seus atuais empregos, indicando que ainda não há muito sucesso em reter essas pessoas.

Isso acontece porque, muitas vezes o foco está no cumprimento da cota, e não na capacidade dos profissionais. PcD extremamente qualificadas não recebem oportunidades para cargos estratégicos, tendo suas habilidades sub-aproveitadas. Gestores ainda possuem receio de lidar com esses profissionais, caindo no estigma de que, ao entrar na empresa por uma cota, a pessoa não possa ser produtiva.

Apesar disso, as empresas pouco a pouco vão percebendo que incluir vai muito além de somente contratar PcD. E isso passa também pela convivência: gestores que já tiveram PcD na equipe são duas vezes mais propensos a acreditar nas capacidades profissionais dessas pessoas.

Ascensão na carreira

Se as empresas possuem dificuldade para contratar e para reter, é fácil imaginar que, para uma PcD, crescer dentro de uma organização seja um desafio enorme.

Nosso estudo mostra que 77% dos RHs entrevistados nunca viram uma PcD assumir cargos de liderança, em nenhuma empresa onde trabalharam. Mesmo profissionais qualificados veem suas capacidades serem colocadas em dúvida, não por desempenho, mas pela deficiência que possuem.

Assim, é preciso também desmistificar a capacidade de entrega dos profissionais como deficiência. Eles não querem ser vistos como super-heróis, mas sim como pessoas capazes de superar desafios e metas como qualquer outra. E claro, serem reconhecidos por isso: 56% acreditam que não são reconhecidos pelo gestor, e 62% não recebem feedback constante.

Acessibilidade

Outro tema que a legislação forçou a acontecer foi a questão da acessibilidade. Porém, as empresas ainda focam na acessibilidade arquitetônica, ou seja, a adaptação de ambientes, instalação de rampas e elevadores etc. É preciso olhar também para a acessibilidade comunicacional: será que as comunicações da empresa são inclusivas? Podem ser compreendidas por todos?

Por fim, um terceiro tipo de acessibilidade a ser trabalhado é o atitudinal. Como a liderança age em relação à inclusão? De que forma transmite isso para suas equipes?

Como vemos, ainda há um caminho árduo a ser trilhado até que as organizações possam se dizer verdadeiramente inclusivas. Isso nos mostra que a inclusão, mais do que um tema humanitário ou legal, é um desafio de engajamento.

A boa notícia é que existem inúmeras oportunidades de melhorar, e a Santo Caos pode ajudar você nessa jornada. Quer saber mais? Fale com a gente!

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