é news, mas não é fake #17 | Seu Planejamento de 2026 Sobrevive ao Carnaval?

O ano começou, a meta está fixada, mas a estratégia pode já estar obsoleta.

Tempo de leitura: 5 minutos


[nossas edições anteriores]

#16 – O Jogo dos Tronos Corporativo

#15 – Deixa o Caos trabalhar, pô.


🔴 precisamos falar sobre

2026 chegou. As festas de fim de ano ficaram para trás, as equipes retornam aos poucos e aquele documento intitulado “Planejamento Estratégico de RH 2026” está salvo na pasta da rede, pronto para ser executado. O orçamento foi aprovado em dezembro, as metas de redução de turnover e aumento de engajamento estão definidas. A sensação é de largada dada e tudo sob controle.

Mas, se olharmos para o histórico, a realidade costuma ser diferente. Daqui a dois meses, logo após o Carnaval, grande parte desses planos robustos começa a acumular poeira. Por que isso acontece logo no início do ano? Porque a maioria das empresas cometeu, ainda em 2025, o erro #1: desenhar um planejamento de RH descolado da estratégia do negócio. Agora, em janeiro, é o momento crítico onde essa desconexão começa a aparecer. Enquanto o RH tenta implementar seus novos processos e treinamentos desenhados no vácuo, a liderança executiva já está correndo atrás de market share e eficiência operacional. Se o plano de RH não for o motor dessas metas de negócio, ele vira “coisa do RH”, e coisas do RH, infelizmente, costumam ser as primeiras a serem despriorizadas quando a pressão aumenta.

O abismo entre o RH e o negócio

Historicamente, janeiro é o mês da esperança corporativa. Mas é também o mês onde as agendas começam a conflitar. O RH quer lançar a nova pesquisa de clima; a diretoria comercial quer vender. Se essas duas coisas não estiverem intrinsecamente ligadas na estratégia da empresa, o RH perde a queda de braço.

Um plano que define “rodar 10 workshops de cultura” é uma lista de tarefas, não uma estratégia. A estratégia seria a resposta para a pergunta: “como a cultura vai acelerar a adaptação dos novos times de vendas para batermos a meta agressiva deste ano?”. O erro está em planejar para o departamento, e não para a organização. Quando o planejamento nasce isolado no silo, ele ignora as dores reais que começam a surgir agora, no dia a dia da operação. O resultado é um descasamento prático: o RH entrega uma solução (como uma nova plataforma de benefícios) no momento em que a empresa precisava desesperadamente de outra (agilidade na reestruturação de equipes). Estudos de consultorias globais mostram que a prioridade dos CEOs para 2026 envolve alta adaptabilidade tecnológica e retenção de talentos-chave. Se o seu plano, que começa a rodar agora, foca majoritariamente em processos burocráticos e pouco em sustentar a performance do negócio, ele já nasceu ultrapassado. O “Business Partner” precisa provar o “Business” já na primeira reunião de resultados do ano.

⚠️ não terminamos ainda

Manter um planejamento estático e desconectado não gera apenas frustração para a equipe de RH, custa caro para a organização. Planos de gaveta significam recursos mal alocados já no primeiro trimestre.

Dados de mercado indicam que a desconexão entre o que foi prometido no planejamento e o que é executado é um dos maiores fatores de desengajamento. Quando a estratégia da empresa muda em março (porque o mercado reagiu), mas o RH continua teimando em seguir o cronograma aprovado em dezembro passado, cria-se uma dualidade perigosa. Uma pesquisa recente sobre tendências de Capital Humano aponta que, embora as empresas iniciem o ano falando em “experiência do colaborador”, menos da metade dos funcionários sente que seus objetivos individuais conversam com o futuro da organização. Isso acontece porque o plano foi feito para ser um documento, não um guia vivo. O risco de janeiro é iniciar as “iniciativas órfãs”: programas lançados com pompa agora, mas que ficarão sem orçamento ou suporte executivo antes de junho. Neste início de 2026, a volatilidade do mercado exige um RH que saiba recalcular a rota sem perder o propósito, e não um RH apegado ao PDF gerado no ano passado. Se o seu planejamento não responde hoje à pergunta “Como isso ajuda a empresa a crescer neste semestre?”, ele corre grande risco de virar apenas papel de rascunho.

Ainda dá tempo de corrigir a rota

Se você sente que o seu planejamento para 2026 corre esse risco, a boa notícia é que o ano apenas começou. Janeiro não precisa ser apenas o mês de execução; pode ser o mês do ajuste fino. Em vez de simplesmente cumprir o cronograma, pergunte aos diretores agora: “o que mudou na visão de vocês desde a aprovação do orçamento?”.

A chave para 2026 será Agilidade e Relevância. Esqueça a ideia de que o plano de RH é imutável pelos próximos 12 meses. Estabeleça checkpoints trimestrais. Se a prioridade do negócio mudou na primeira semana do ano, o RH deve ser o primeiro a adaptar suas entregas. Isso não é falta de planejamento, é inteligência estratégica. Além disso, comece o ano falando a língua dos dados. Não apresente apenas o cronograma de treinamentos; mostre como as ações de janeiro e fevereiro vão impactar os indicadores de negócio no curto prazo. O RH precisa provar seu valor com números que o CFO respeita desde o dia 1.

Outro ponto crucial é viver a Cultura na prática. O planejamento não é o que está no papel, é o comportamento que a liderança incentiva agora, na volta das férias. Se a meta de 2026 é inovação, não comece o ano burocratizando processos. O alinhamento entre o discurso estratégico e a prática diária é o que garante a execução.

Assim como nas edições anteriores falamos sobre inclusão real, aqui falamos sobre RH Estratégico versus RH de Suporte. O erro #1 foi achar que o planejamento acabava em dezembro. Na verdade, ele começa agora. Para 2026, esteja pronto para rasgar o plano se for necessário, contanto que isso garanta que as pessoas certas estejam no lugar certo, gerando resultados sustentáveis.


Você pode consultar as fontes citadas no texto clicando aqui.

Foto de Alexandre Dias

Alexandre Dias

Publicitário, com especialização em digital e branding. Atualmente trabalho com branding e gestão de marcas. Combino branding, digital, performance e estratégia para (re)posicionar marcas.
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