• Daniel Santa Cruz

Por que engajar terceirizados com diversidade

A morte de Beto Freitas numa loja da rede Carrefour reacendeu o debate sobre racismo e violência racial no país, ainda mais por ter ocorrido no mês da Consciência Negra.

Desde que a Santo Caos surgiu, falamos sobre a importância das empresas engajarem suas equipes e lideranças com a diversidade e inclusão, e dos inúmeros benefícios que isso traz.

Além desse debate, é essencial evidenciar que as organizações precisam se preocupar em engajar também seus terceiros nessa causa. Quer saber por quê? Confira a seguir.


Terceirização: tendência em crescimento

Segundo o sociólogo Ruy Braga, 75% da força de trabalho no Brasil poderão ser terceirizados. Não somente pelo cálculo financeiro, mas também por questões envolvendo riscos trabalhistas e flexibilidade, muitas empresas têm apostado nesse modelo.

Gigantes globais como a Google, por exemplo, já contam com número maior de terceiros do que dos chamados primarizados (empregados próprios) em seus quadros. E esses terceiros muitas vezes são responsáveis pelo contato direto com o cliente – seja em funções como segurança, manutenção, serviços gerais e tecnologia, mas também atendimento e relacionamento.

Nosso estudo Terceirização e Engajamento, lançado em 2019, apontou que apesar desse cenário, as empresas que contratam terceirizadas ainda ignoram seu papel na gestão dos empregados indiretos. Papel este que acaba muitas vezes caindo num “limbo”, pois a empresa que oferece o serviço também não o cumpre. Será que uma relação de trabalho assim pode ser funcional, produtiva e saudável?


Cultura organizacional, comunicação e liderança

Como especialistas em engajamento, sabemos que os fatores cultura, comunicação e liderança são preponderantes para manter uma pessoa engajada. E o que vemos numa relação de terceirização é que esses três pontos ficam confusos. Com qual cultura o terceiro deve se identificar? A da empresa onde trabalha diariamente, ou a da que paga o seu salário?

A qual líder ele se reporta: alguém na empresa-cliente, ou alocado na organização que o registrou diretamente? Quem deve comunicar a essa pessoa suas metas, papéis, responsabilidades, oferecer feedback e avaliação de desempenho?

Em geral, essas perguntas não são respondidas de maneira satisfatória no dia a dia de uma relação terceirizada. Não à toa, segundo o nosso estudo, o principal sentimento apontado pelos terceiros entrevistados é de descarte e invisibilidade.

Afinal, se eu tenho contato com duas empresas, e não me sinto pertencente a nenhuma delas, como posso me engajar?


Terceirização, diversidade e inclusão

Quando se fala de diversidade e inclusão, esse mecanismo se repete. A responsabilidade por comunicar, conscientizar, sensibilizar e treinar os terceiros sobre esse aspecto tão importante também cai numa zona cinzenta.

Será que as empresas-clientes exigem que suas subcontratadas realizem ações sobre o tema? Ou se limitam a trocar de fornecedor quando ocorre uma repercussão negativa, sem se preocupar com quem incluem em sua cadeia de produção?

Infelizmente, o recente caso do Carrefour e outros tantos levam a crer que a opção escolhida seja a segunda. Fica então uma provocação: uma empresa que quer ser referência em diversidade e inclusão não deveria estimular essa pauta dentro de toda a sua cadeia? Não poderia ela mesma ser uma agente de mudança, incentivando fornecedores, parceiros e outros stakeholders a agirem da maneira que ela mesma se propõe a fazer internamente? Não deveria exigir e dar suporte para que se adequem a determinadas políticas e procedimentos?

Se diversidade e inclusão é um tema importante demais para ser ignorado internamente, como ignorá-lo quando se trata de uma força de trabalho que está presente em suas unidades operacionais, da mesma forma que os empregados diretos, e tendo contato com o cliente?


Engajar é primordial. Inclusive os terceiros

Imagine o impacto de ter 75% da sua empresa desengajados, por serem terceirizados e não estarem totalmente alinhados à sua cultura, valores e processos. É o que pode acontecer em muitas organizações, se o cuidado com essa relação crescente de trabalho não mudar. Engajar pessoas não se trata somente de olhar para uma relação empresa-empregado, mas também de tornar essa conexão saudável para ambas as partes.

Os benefícios disso são muitos, e já são conhecidos há tempos: mais produtividade, inovação, felicidade, satisfação e claro, lucro. O que falta para a sua empresa engajar seus funcionários, sejam eles terceiros ou próprios?

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