• franciele988

Por que ainda temos que falar sobre equidade racial nas empresas?

Em novembro, por ser o mês da consciência negra, o tema racial ganha destaque. Neste ano de 2020, por conta do movimento Black Lives Matter, a questão racial esteve em evidência; além disso, também vimos as empresas se movimentarem neste segundo semestre para trazer mais talentos negros para dentro das companhias, através de programas de estágios e trainee.

Equidade racial nas empresas

É visível que as empresas têm um papel chave na solidificação e desconstrução das problemáticas que persistem nos dias de hoje a respeito da equidade racial. Luiza Trajano, dona da rede Magazine Luiza, em uma entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, declarou haver poucos executivos negros em altos cargos e, por isso, optou por fazer o programa de trainee exclusivo para pessoas negras neste ano.

Nosso estudo Black In é de 2018, e ainda hoje a questão do racismo estrutural está presente em nossa sociedade e ainda mais evidente em empresas, o estudo traz dados como: somente 34% dos funcionários das maiores empresas são negros, menos de 10% dos profissionais negros estão em altos postos hierárquicos, 1 a cada 3 profissionais negros já sentiu dificuldade em encontrar emprego por causa da sua cor e profissionais negros com ensino superior completo recebem 28,8% menos do que recebem os brancos em igual condição.

A questão da mulher negra

Quando falamos da mulher negra no meio corporativo, o cenário é ainda mais desfavorável em relação à equidade racial, apenas 0,4% estão em cargos executivos das empresas, e a remuneração da profissional negra em relação ao que recebe um homem branco é 59% inferior. No grupo das empresas analisadas na pesquisa do Instituto Ethos, de um total de 548 diretores negros e não negros de ambos os sexos, há apenas 2 mulheres negras. Tal dado reflete a desigualdade e sub-representação que se observa de modo geral no mercado de trabalho brasileiro, visto que, em níveis escalonáveis, a situação é ainda pior.

Como promover a equidade nas empresas?

A igualdade de direitos e oportunidades é a grande bandeira que deve ser levantada. Nosso guia de equidade de gênero traz algumas ideias que podem ser implantadas nas organizações para fomentar a equidade entre homens e mulheres, como promover políticas internas de conscientização, contribuir para a transformação da cultura organizacional e das perspectivas dos colaboradores sobre equidade racial e de gênero, ter uma liderança mais diversa, promover oportunidades de desenvolvimento e crescimento, entre outras.

Embora a discussão esteja relacionada à equidade racial no mercado de trabalho, as políticas precisam engajar e conscientizar a todos, independentemente de ser negro ou não.

Para Daniel Teixeira, advogado e diretor do Ceert (Centro de Estudos das Relações do Trabalho e Desigualdade): “As empresas precisam de programas mais efetivos e não só ficar no plano da imagem e no plano do marketing. Só isso não é equidade racial.”

Percebe-se cada vez mais que é preciso tratar esse diálogo com profundidade, indo além dos números e estatísticas, buscando entender, investigar qualitativamente os porquês, as motivações, bem como o que as empresas pensam e esperam em relação à causa. Ela não pode continuar sendo passageira, tampouco encarada como modismo e deixando de ser efetivamente praticada.

Para haver equidade, é fundamental ter engajamento das lideranças e equipes. Isso pode ser feito de diversas formas:

  • treinamentos para diminuir os vieses inconscientes no recrutamento, seleção e promoção

  • campanhas internas de incentivo e sensibilização

  • diagnóstico de perfis dos colaboradores e percepção sobre diversidade, que permita criar ações efetivas para que este quadro mude.

Enfim, as possibilidades são muitas, o importante é começar. Vamos juntos(as) nessa jornada pelo engajamento e pela equidade?


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