• Daniel Santa Cruz

Paternidade e trabalho em casa: o que a minha empresa tem a ver com isso?

Já não é novidade dizer que o trabalho “invadiu” ainda mais as nossas casas com o trabalho remoto. Essa tendência, antes vista como opção em empresas mais flexíveis, agora se torna uma necessidade, tanto por aspectos sanitários quanto por decisões financeiras que as empresas precisam tomar. O trabalho em casa virou regra, e muitas famílias – principalmente as que têm filhos – precisaram aprender a lidar com isso. Passado o Dia dos Pais, trazemos uma reflexão sobre o papel dos pais neste momento, e sua relação com o trabalho.

E o que as empresas têm a ver com isso? Qual o “novo” papel dos pais, e quais os principais impactos que estão sendo observados? Confira a seguir, neste artigo com participação de Leandro Ziotto, especialista em parentalidade.

Trabalho em casa e dupla jornada

Historicamente, é sabido que as mulheres entraram no mercado de trabalho há bastante tempo, porém a divisão do trabalho doméstico não acompanhou esse processo. A distribuição de tarefas em casa ainda é pouco igualitária na maioria dos lares. Isso leva a um fenômeno chamado de “dupla jornada”: as mulheres trabalham fora e também dentro de casa, antes e depois de cumprir seu horário profissional. E esse trabalho doméstico não é remunerado.

Com um cenário onde o “trabalhar fora” deixou de ser uma realidade, ao menos literalmente, fica ainda mais escancarada essa divisão pouco igualitária. E nas famílias que têm filhos, pais que antes não eram tão disponíveis no cuidado com as crianças se viram obrigados a participar mais – ou pelo menos sentiram na pele o que as mulheres já viviam. Sem dúvida, o papel do homem começa a ser questionado com mais força. Mas o que as empresas têm a ver com isso?

Conscientização, equidade e benefícios

Aqui na Santo Caos, acreditamos que as empresas devem ser agentes de mudança, frente aos problemas que a sociedade apresenta. Por isso, é responsabilidade delas debater, conscientizar e engajar seus colaboradores sobre paternidade e todos os impactos que ela traz. 

Neste momento, esse papel pode passar a ser ainda mais importante, já que a presença dos pais na vida familiar aumentou, ainda que de maneira “forçada”. Nesse texto, já falamos um pouco sobre licença-paternidade e como as organizações podem incentivar essa presença.

Para além disso, existem outras iniciativas que as empresas podem adotar para apoiar nesse momento. Confira o depoimento de Leandro Ziotto, pai do Vini e fundador da 4Daddy, plataforma de formação parental e conscientização sobre masculinidade:

“A igualdade de gênero, diversidade e inclusão não são apenas bandeiras que devem ser debatidas dentro e fora das empresas. Elas são os caminhos possíveis para uma sociedade mais justa e economicamente sustentável. As empresas que perpetuarão serão aquelas que colocarem os ser humano no centro. Porém, para programas internos de igualdade de gênero, diversidade e inclusão terem sucesso e resultados concretos, eles precisam de 3 coisas: pesquisa, planejamento e budget. Sem isso, vira apenas debate e recreação. Há uma escala de impacto que as empresas e o Estado precisam enxergar. Uma paternidade exercida de forma participativa e cuidadora tem impactos positivos no indivíduo, na família dele, e na sociedade em que tanto esse homem quanto a empresa que o emprega estão inseridas. Então falar sobre Paternidades e Masculinidades não é apenas questão de Responsabilidade Social, tem impacto econômico.”

Impactos nas empresas e no engajamento

E quais são as principais mudanças que as empresas estão sentindo neste momento de aumento do trabalho em casa? Segundo Leandro Ziotto,

“Tratar sobre Paternidades e Masculinidades tem sido uma das ações mais reveladoras e transformadoras dentro das empresas. Pois não impacta apenas os homens, mas as mulheres também. Homens conscientes do seu papel de Pai Participativo e cuidador, são homens menos machistas no ambiente de trabalho. Se comunicam com menos violência, cuidam mais da sua saúde física, mental e emocional, além de desenvolver mais suas soft skills tão exigidas hoje no ambiente corporativo.”

Ainda segundo ele, “não existe separar vida pessoal e profissional. O ser humano é integral. É impossível separar o pai do vendedor, ou a mãe da gestora. Uma família com problemas resulta em colaboradores com problemas. É preciso um equilíbrio.”

Nestes 7 anos trabalhando com grandes clientes, percebemos que o bem-estar (e agora a paternidade começa a ser encarada como parte disso) tem grande impacto no engajamento. Sem dúvida, ainda há muito o que avançar nesse tema.

Como está o debate sobre paternidade na sua empresa? Tem refletido sobre o assunto? Compartilhe conosco!

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#homeoffice #paternidade

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