• adriana dieuzeide

5 desafios que as mulheres ainda enfrentam no mercado de trabalho


Um relatório do Fórum Econômico Mundial (de 2019) mostra que, se continuarmos na evolução das pautas relativas à participação das mulheres no mercado de trabalho como estamos hoje, a igualdade de gênero só se dará daqui a 257 anos.


Aproveitando o mês de março, quando mundialmente é celebrado o Dia da Mulher, apresentamos cinco desafios enfrentados diariamente por elas e que demonstram que ainda há muito para construir em relação a esta pauta. Confira:


1. Diferença salarial

Essa é uma das principais questões que é preciso trabalhar quando existe a preocupação com a diversidade e a equidade de gênero nas organizações. Não é raro vermos uma empresa se posicionar como diversa por ter mulheres como maioria no quadro de funcionários. Mas elas são reconhecidas em termos de salário? Quais cargos elas ocupam?


Em praticamente todas as áreas, mulheres brancas com ensino superior ganham, em média, 60% do salário de homens brancos com ensino superior - mesmo que ocupem o mesmo cargo e desempenhem as mesmas funções. Para mulheres negras o gap é ainda maior: elas ganham, em média, 40% do salário dos homens brancos, ou seja, menos que a metade.


Falando de Brasil, no quesito de igualdade de salário, estamos na penúltima colocação das Américas. De 142 países avaliados, ocupamos a 124ª posição.


Vale lembrar que a desigualdade de salários para uma mesma função é uma prática ilegal, mas, ainda assim, é realidade em muitas empresas.


2. Menos oportunidades

Apesar das pesquisas apontarem que as mulheres são mais qualificadas que os homens e somam mais anos de estudos que eles, elas ficam muito atrás no momento de ocupar os altos cargos nas empresas.


Uma pesquisa do Instituto Ethos, feita com as 50 maiores empresas brasileiras, mostra que apenas 0,4% dos cargos de CEO são ocupados por mulheres negras. E no total, apenas 11% dos cargos de CEO são ocupados por mulheres.


Elas também recebem menos investimentos no mercado de startups e algumas iniciativas vêm sendo criadas para amenizar essa questão, com aportes financeiros destinados exclusivamente para ideias inovadoras com mulheres à frente.


Falando ainda de oportunidades, destacamos um ponto que será trazido logo adiante: a síndrome da impostora. Quantas vezes você já presenciou uma mulher se questionar da sua própria capacidade ao ser convidada para assumir um novo cargo no trabalho? Agora pense em quantos homens você já viu se questionar desta forma, e, principalmente, externalizar essa insegurança?


3. Dupla jornada, maternidade e carreira

É uma questão social: historicamente é atribuída às mulheres todas as obrigações com a casa e com os filhos. De acordo com o IBGE, as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas por semana às atividades de casa, enquanto os homens gastam 10,9 horas, ou seja, quase a metade do tempo.


A pandemia agravou seriamente este cenário para as mulheres, fazendo com que boa parte chegue a pensar em deixar o trabalho, ao se verem tendo que cuidar das demandas profissionais, dos filhos (em casa, durante o isolamento social) e da casa.


Falando de maternidade, além do desafio de conciliar as funções, sabe-se que grande parte das mulheres que se tornam mães enfrentam um cenário desafiador ao voltarem da licença-maternidade. Um estudo da FGV aponta que metade das mães que trabalham são demitidas após dois anos da licença-maternidade, de acordo com esta matéria. A mesma matéria traz o dado de que, a cada dez mulheres, quatro não conseguem retornar ao mercado de trabalho após a licença-maternidade, seja por questões de mercado, ou questões culturais.


4. Síndrome da impostora

Você, mulher, que está lendo este texto: quantas vezes se sentiu 100% segura ao assumir uma nova função? O quanto você realmente acha que domina o tema com o qual trabalha?


A necessidade de ser aceita e de atender aos padrões impostos pela sociedade é algo que faz parte da vida das mulheres em todos os âmbitos, historicamente. A socialização diferenciada, a educação e os valores distintos contribuem fortemente para isso. É uma realidade que ultrapassa gerações e, no ambiente de trabalho, isso não seria diferente. Por isso, não é raro as mulheres, em geral, acharem que não estão fazendo o suficiente, não se sentirem preparadas para assumir determinadas responsabilidades, ou, pior: invalidarem suas trajetórias e suas realizações profissionais.


Este misto de sensações ganhou um nome: Síndrome da Impostora. Se refere à falta de autoestima para desempenhar uma função em espaços tradicionalmente masculinos, o que leva à necessidade de trabalhar mais e melhor para ter direito a este reconhecimento. Excesso de autocobrança, perfeccionismo, dificuldade de se posicionar, necessidade de aprovação e sobrecarga de trabalho são alguns dos sintomas que fazem, por exemplo, Jennifer López sentir que não é boa cantora - apesar de vender 70 milhões de discos.

Se quiser entender mais, esta matéria aprofunda no tema.


5. Assédio no ambiente de trabalho

Como se não bastassem os tópicos anteriores, as mulheres, também, historicamente, enfrentam o assédio (de diversos tipos, mas com destaque para o moral e o sexual) no ambiente de trabalho, especialmente nas áreas da ciência, engenharia e medicina. E, mais um vez, a diferença é gritante: esta matéria mostra que 40% das mulheres dizem que já foram xingadas ou ouviram gritos no ambiente de trabalho, contra 13% dos homens. Ainda mais grave é que o assédio é, muitas vezes, naturalizado ou levado como “brincadeirinha” por parte de empresas essencialmente machistas.


O que vem sendo feito:

A criação de cotas para mulheres em cargos de comando é uma das iniciativas que vêm sendo discutidas e que podem amenizar a baixa equidade nas empresas.


A implantação do ESG (Ambiente, Social e Governança) em grandes empresas também pode ajudar a tornar a diversidade e, consequentemente, a equidade de gênero, uma questão prioritária. Isso pode representar um avanço importante para todos os grupos minorizados, uma vez que o ESG está totalmente relacionado ao investimento que grandes companhias farão em empresas que, comprovadamente, possuem, no mínimo, um plano para abordar estas questões.


Falar sobre equidade de gênero, ouvir as mulheres para entender como elas se sentem naquele ambiente, questionar as estruturas da sua empresa, repensar políticas, investir em lideranças diversas, combater vieses inconscientes, promover oportunidades e conhecer cases de sucesso em relação ao tema, são primeiros passos importantes para ter um ambiente mais inclusivo, diverso e que dê o devido suporte às mulheres.


Que tal aproveitar o mês de março para repensar estas práticas na sua empresa?

Neste artigo falamos um pouco mais sobre como engajar com a equidade de gênero e, se quiser entender mais, você também pode baixar gratuitamente o Guia da Equidade de Gênero da Santo Caos. Não deixe de conferir!


24 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

©2020 por Santo Caos.